O renascimento do cânhamo têxtil: do campo à roupa ética
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ÍNDICE
Não, o cânhamo não serve apenas para fazer CBD ! Esta planta mágica vestiu a humanidade durante muito tempo antes de ser esquecida. Hoje, ela está de volta em grande estilo na moda ética. E vou explicar-lhe porque é que este é um (re)nascimento cheio de bom senso.
Antes de ser associado ao CBD ou ao relaxamento, o cânhamo era principalmenteuma matéria-prima essencial. Durante séculos, o cânhamo e as suas utilizações serviram a humanidade. Era usado para fabricar cordas, velas, telas e roupas resistentes e duráveis. Na Europa, fazia parte do quotidiano. Era cultivado em todo o continente, desde o sul de Portugal vale do Danúbio.
As fibras de cânhamo eram apreciadas pela sua resistência excecional e capacidade de durabilidade.
Os marinheiros adoravam-na para fabricar as suas velas e cordas, que resistiam aos ventos e às tempestades. E para os camponeses, era uma planta milagrosa que crescia rapidamente, sem precisar de muita água nem produtos químicos.
Mas, no século XIX, tudo mudou. O algodão, importado das colónias, mais macio e mais fácil de trabalhar à máquina, substituiu gradualmente o cânhamo. E com o surgimento da petroquímica, as fibras sintéticas invadiram os guarda-roupas: poliéster, nylon, elastano... Em suma, materiais mais baratos, mas desastrosos para o planeta.
O cânhamo caiu então no esquecimento. Foi também vítima de um duplo preconceito, sendo considerado demasiado rústico para a moda moderna e demasiado próximo da cannabis para as mentes mais cautelosas. Uma planta tão virtuosa, rejeitada por razões erradas.
O cânhamo têxtil moderno já não é o tecido rígido de antigamente. As técnicas de fiação foram modernizadas, tornando a fibra mais macia, respirável e agradável de usar.
Podemos fazer jeans, camisas, camisolas, vestidos... enfim, tudo o que gostamos de usar no dia a dia, mas numa versão ética.
E, acima de tudo, esta fibra tem tudo para agradar:
O cânhamo é, portanto, um material ancestral e com futuro. E os criadores não se enganam. Muitas marcas éticas colocam essa fibra no centro das suas coleções.
Marcas como Patagonia, Knowledge Cotton Apparel, Hempage ou marcas francesas como 1083 ou La Gentle Factory já utilizam o cânhamo pelas suas qualidades ecológicas e estéticas.
Mas não se trata apenas de uma questão de tendência. É também uma revolução têxtil. Porque escolher o cânhamo é recusar o consumo excessivo, a poluição e o trabalho precário. É, em última análise, preferir uma peça de roupa que tem sentido, substância e respeito.
Hoje, o cânhamo impõe-se como um pilar da agricultura sustentável. O seu cultivo regenera os solos, limita a erosão e ajuda até mesmo a descontaminar certas terras.
Além disso, a sua versatilidade é incrível: as sementes são utilizadas na alimentação, os caules na indústria têxtil ou no papel e as flores para a produção de CBD. Nada se perde, tudo se transforma. É uma das poucas culturas em que 100% da matéria pode ser utilizada.
Na moda, essa eficácia inspira novas práticas. As marcas procuram reduzir a sua pegada de carbono e relocalizar a sua produção. O cânhamo permite exatamente isso, pois cresce rapidamente e perto de nós, e quase não requer cuidados para crescer.
As novas tecnologias têxteis também contribuíram para o seu regresso. Graças a processos de fiação mais refinados e misturas com algodão orgânico ou linho, agora é possível obter tecidos flexíveis, macios e elegantes. Acabou-se o cânhamo áspero dos nossos avós!
E o pequeno extra? É termorregulador: mantém o calor no inverno e permanece fresco no verão.
Mas essa renovação não se limita à técnica. Ela também é filosófica. Ao escolher o cânhamo, a moda adota uma lógica de circuito curto, ética e transparência. Os consumidores, por sua vez, redescobrem uma fibra que combina bem-estar, estilo e responsabilidade.
Este regresso do cânhamo é um pouco como um regresso a casa. Redescobrimos um material que sempre tivemos diante dos nossos olhos, mas que esquecemos na nossa corrida pela novidade.