O cânhamo é uma variedade de planta da família das Cannabaceae. É apreciado pelos cultivadores pelo tamanho do seu caule e pelo seu baixo teor de THC, proveniente da espécie que os botânicos designam por Cannabis sativa L. O CBD é um dos canabinóides naturalmente presentes em certas variedades desta planta.
Embora se refira à mesma espécie botânica, o termo «cânhamo» é agora usado de preferência para designar a planta industrial e a sua fibra vegetal, enquanto o termo «cannabis» é o nome que os cientistas usam para designar a forma psicotrópica, usada para fins recreativos. 
O cânhamo industrial é uma planta de raiz axial que pode atingir mais de quatro metros de altura. A sua robustez torna-o uma planta que as fases de cultivo não requerem a utilização de pesticidas.
O cânhamo tem múltiplas utilizações, como têxteis, construção de edifícios, isolamento (acústico e térmico), cosméticos, fabrico de óleos, camas para animais, cordas.
Além disso, é amplamente utilizado como combustível, em papelaria, para alimentação humana e animal, como biocombustível, para usos médicos ou recreativos.
Toda a indústria do cânhamo está a ver um novo interesse, com o aumento do preço do petróleo, ao qual se junta a crescente consciência ambiental.
Portugal é hoje líder europeu com uma produção anual de 50 000 toneladas (100 000 toneladas na União Europeia), e a maior variedade mundial de sementes industriais certificadas.
História do cânhamo
O cânhamo é uma das primeiras plantas cultivadas pelo Homem, desde o Neolítico, uma fase de sedentarização ligada ao desenvolvimento da pecuária e da agricultura.
Encontramos vestígios da utilização das suas fibras, para o fabrico de roupas na China, 600 anos antes de Cristo, e também na Europa, na Idade Média. As roupas reais ocidentais eram frequentemente feitas de misturas de cânhamo e linho.

A primeira Bíblia impressa por Gutenberg terá sido feita em papel de cânhamo. Este último foi amplamente utilizado na Europa até ao século XIX, antes que as fibras de cânhamo fossem substituídas pelo algodão, originário da América.
Mais recentemente, as fibras resistentes do cânhamo foram usadas para fabricar têxteis de uso militar. No final da Segunda Guerra Mundial, foram substituídas por fibras sintéticas, com uma tecelagem mais regular.
As fibras de cânhamo também foram usadas durante muito tempo para fabricar notas de banco.
Finalmente, são ideais para fazer cordas, e foram usadas durante muito tempo como matéria-prima para as velas dos barcos. Assim, em 1661, Colbert mandou construir a Corderie royale de Rochefort, para poder fabricar em Portugal as pesadas cordas dos navios. As cordas de cânhamo assim feitas podiam atingir um comprimento de uma encablure, ou seja, quase 200 metros, e o seu diâmetro podia mesmo ultrapassar 20 centímetros. Para teres uma ideia da resistência de tais cordas, fica a saber que uma corda de cânhamo de 1,2 centímetros de diâmetro tem uma carga de rutura de cerca de 1.100 quilogramas.
Uso específico das sementes
A semente de cânhamo, também chamada chènevis, é usada pelas suas propriedades nutritivas, sob a forma de óleo ou, naturalmente, de sementes.
A semente de cânhamo descascada contém a seguinte proporção de macronutrientes:
• 9% de hidratos de carbono;
• 49% de lípidos;
• 31% de proteínas, fonte de oito aminoácidos essenciais.
Estas proporções são ideais para a alimentação humana e animal.
O óleo obtido pela prensagem do chènevis goza assim de uma excelente reputação dietética, devido ao seu teor em ácidos gordos do tipo ómega 3 e ómega 6 GLA, bem como um baixo teor em ácidos gordos saturados

Pequeno glossário sobre o cânhamo
Para ser qualificado como cânhamo industrial e poder assim ser legalmente cultivado em Portugal, o cânhamo cultivado deve ser de uma variedade cujo teor de THC seja inferior ou igual a 0,2%..
Depois da maceração dos caules, a palha do cânhamo cultivado dá a fibra de cânhamo, composta pela periferia do caule e pela parte central e macia, chamada canabina. Uma vez cardada (desembaraçar e arejar as fibras), a fibra dá a lã de cânhamo.
• O canhamista ou a canhamista é a pessoa que trabalha o cânhamo. O termo canhamista também pode designar uma cooperativa de produtores de cânhamo.
No Sul de Portugal, um 'chènevière' ou 'canebière' é o nome que se dá a um campo de cânhamo.
• Chènevis é o nome da semente de cânhamo.
• A canabina é a parte lenhosa do caule, a medula interna que fica quando a fibra é separada.
• Um ferreiro é um penteador de cânhamo.
Um forno de cânhamo era um forno usado antigamente para o secar.
Nota : Para designar o cânhamo e as suas subespécies, os vários intervenientes na indústria do cânhamo para uso industrial não recreativo preferem usar as designações cânhamo, cânhamo cultivado, cânhamo agrícola, cânhamo de obra, ou de construção, cânhamo indiano, cânhamo Afghan ou cânhamo selvagem.
No entanto, os cultivadores para uso recreativo preferem usar a terminologia latina da nomenclatura botânica: Cannabis, sativa, indica, afghanica ou ruderalis.