Já conhecias o Clube dos Haxixins?

Já conhecias o Clube dos Haxixins?

O clube dos Haxixins foi fundado em Paris em 1844 pelo doutor Jacques-Joseph Moreau de Tours, dedicado ao estudo e à experimentação da resina da flor de cânhamo, em particular, que era geralmente consumida como uma pasta ou compota esverdeada misturada com gordura, mel e pistácios.

As sessões aconteciam mensalmente na casa do pintor Joseph Ferdinant Boissard de Boisdener, no Hôtel de Lauzun (o Hôtel Pimodan), situado na ilha Saint-Louis, num apartamento alugado ao pintor pelo barão Jérôme Pichon.

Muitos cientistas, homens de letras e artistas franceses daquela época assistiram a algumas sessões do clube dos Haxixins.

Théophile Gautier foi um dos primeiros poetas a participar nas sessões. Mais tarde, ele até escreveria uma obra, chamada « Le Club des hachichins », dedicada a esta organização. Foi precedida pela publicação de um artigo sobre o assunto em fevereiro de 1846 na « Revue des Deux Mondes », explicando o conteúdo e o contexto das experiências realizadas no clube dos haxixins. A introdução do livro descreve a primeira visita de Théophile Gautier ao clube:

« Numa noite de dezembro, obedecendo a uma convocação misteriosa, redigida em termos enigmáticos compreendidos pelos afiliados, ininteligíveis para outros, cheguei a um bairro distante, uma espécie de oásis de solidão no meio de Paris, que o rio, ao rodeá-lo com os seus dois braços, parece defender contra os avanços da civilização, pois era numa velha casa da ilha Saint-Louis, o hotel Pimodan, construído por Lauzun, que o clube bizarro de que eu fazia parte há pouco tempo realizava as suas sessões mensais, onde eu ia assistir pela primeira vez ».



Théophile Gautier convidou alguns dos seus amigos e, aos poucos, contribuiu para a expansão do clube dos Haxixins. Foi precisamente neste local que ele conheceu Charles Baudelaire pela primeira vez. Começou então uma grande amizade entre estes dois poetas. Théophile Gautier até escreveria o prefácio de « Flores do Mal », a famosa obra-prima de Charles Baudelaire.  

Baudelaire voltava de vez em quando ao hotel Pimodan e mais tarde contaria algumas das suas experiências no clube, na sua obra « Os Paraísos Artificiais », um estudo sobre os efeitos da resina da flor de cânhamo, em particular.

Ele até morou durante algum tempo, de 1843 a 1845, no apartamento situado acima do clube dos Haxixins (alugando-o por 350 francos, lá encontraria a inspiração para o poema « Convite à Viagem»).

Outras personalidades visitavam o clube de vez em quando, como os pintores Honoré Daumier e Eugène Delacroix ou os escritores Gérard de Nerval, Gustave Flaubert, Alexandre Dumas e Honoré de Balzac.  

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